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De WikiGesac

Processo em andamento no Pará


Carta 01


Perna para D. Antonia do Banco do Brasil, Responsavel pelos Telecentro no Norte.

saudações

Ola Antonia, me desculpe a demora pra te enviar este email, mais tive alguns problemas pessoais, porém, vamos lá; Há um mes fui convidado pra uma reunião com o a SEDES (Secretaria do Desenvolvimento Social) através do Dario, um integrante da diretoria.

A SEDES tem em sua agenda uma atividade ligada a uma especie de encontro sobre politicas publicas pra comunidade quilombola, onde eu junto de mais 2 arte-educadores daqui de Belem, fomos convidados a nos juntar a esta organização pra realizar o evento.

Estamos rascunhando uma dissertação pra compreendermos os processos e as varias parcerias envolvidas.

Espero a sua contribuição e um retorno pra podermos desenhar uma proposta de coletivos pra levar a implantar telecentros em areas quilombolas. Sabemos que existe um total de 256 comunidades catologadas.

Além dessa lista abaixo, acredito que vc tb deve ter indicações, gostaria que vc pudesse faze-las e pudesse ler o projeto no link que lhe enviei e assim pudessemos estudar, como e de que forma é possivel uma parcerias no projeto.



Comunidades Sugeridas:

Acará: Itacoãmirim / Guajara mirin

Ananindeua: Abacatal

Marajó: Bacabal- 2 comunidades- Pau Furado, Bairro Alto / Ponta de Pedra- Santana Ponta de Pedra- Tartarugueiro / Salvaterra- Santa Luzia / Salvaterra- Mangueiras

Baião: Igarapé Preto

Cametá: Quilombo Umarizal

Colares: Santarem novo / Comunidade do Cacau

São Miguel do Guamá: Uricuriteua / Santa Rita de Barreiro

Gurupá

Santa Izabel: Boa Vista de Itá / Macapazinho


Carta 2


De Perna para TC( Casa Tainã/ Rede Mocambos)


TC,

Mandei esta carta pra D. Antonia que cuida dos Telecentros do Banco do Brasil aqui no norte. Ainda neste mes vamos conversar com o grupo da SEDES, ja temos uma atividade marcada junto com eles, que é um seminario sobre politicas publicas pra população negra, que deve acontecer ainda neste semetre na ilha do Marajó.

Conversando com mais 2 amigos arte-educadores, ambos que ja exercem atividades nos quilombos( Mestre bira- capoeira angola e Guiné- dança-afro)

Estamos tentando desenhar uma proposta de como a SEDES pode ajudar na Rede Mocambos, onde me coloco como articulador da rede na região norte, onde levantando dados e uma equipe de trabalho poderiamos indicar a principio 15 comunidades polos.

Ai te pergunto, como tu acha que desenho isso?? Uma atividade ja esta marcada que é essa que lhe falei, o tal seminário.....

As 15 comunidades quilombolas foram indicações do proprio Guine e Bira, porém pedi pra D. Antonia que indica-se tb mais algumas, e ainda temos que avaliar como quais as prioridades e chances de multiplicações em cada uma delas.

Acha que seguimos esta linha de trabalho que a Taina esta realizando??? Com intercambios?? onde uma certa estrutura os levaria daqui pra Campinas? Tipo 15 dias na tainã + 15 dias da "equipe norte" no quilombo???

No momento temos:

D. Antonia Banco do Brasil

Coletivos de entidades negras de Belem

Unicef

Fundação Palmares

SEDES( secretaria do desenvolvimento social)

bom, vamos nos falando,,, dá um lida ai:

abraço


Perna



Carta 03


Relato reunião Mapeamento de Demandas com o Movimento Negro do Pará

07/05/2007


O UNICEF, com sua nova estratégia de País, está trazendo para o estado do Pará uma proposta de mobilização de diferentes atores - gestores públicos municipais e estaduais, movimentos sociais, ONGs e setor privado - para construção de uma agenda da criança e do adolescente na Amazônia Legal, a Plataforma Amazônia. A Plataforma Amazônia vai buscar o fortalecimento de políticas públicas municipais que atendam as demandas das crianças e adolescentes, com ênfase naquelas em situação de maior vulnerabilidade. Como nas demais regiões no restante do País, crianças e adolescentes negras e indígenas contam com os piores indicadores sociais. Além da exclusão histórica das políticas públicas, estes grupos sempre foram desconsiderados em suas diferenças culturais, sociais e econômicas.

O UNICEF entende que para além da busca pela mudança dos indicadores sociais, é preciso focar na enorme defasagem revelada pelas pesquisas quando se faz o recorte de raça e etnia. Portanto, não basta a melhoria dos indicadores de mortalidade infantil ou de violência contra os adolescentes, mas também diminuir as diferenças existentes entre estes indicadores quando se faz referência a situação dos adolescentes e jovens dos povos indígenas e da comunidade afro-brasileira.

Para realizar esta mudança o UNICEF iniciou um diálogo com as lideranças do movimento negro do Pará, Fundação Cultural Palmares e governo do estado, por meio do Projeto Raízes, de maneira a identificar sua agenda, propostas e demandas que possam trabalhar com crianças e adolescentes no resgate da auto-estima, no fortalecimento de sua identidade e na construção de uma proposta que possibilite o amplo protagonismo da juventude negra do Pará, o Encontro para Identificação e Mapeamento de Demandas, reunindo lideranças do movimento, adolescentes negros e representantes governamentais para a construção de uma agenda política para a juventude negra do Pará.

Questões apresentadas e propostas:


Antônio Pompeo, diretor da Fundação Cultural Palmares, representando a presidência da instituição, informou querer ouvir as demandas do movimento negro do estado para construção de uma agenda comum. Informou ainda sobre a ênfase que o governo federal vai dar na atuação com a juventude este ano, o que vai impactar diretamente nas propostas a serem desenvolvidas pela Fundação. Disse também ser possível pensar em oficinas para elaboração de projetos, onde a Palmares disponiblizaria seus técnicos para a capacitação.


O Programa Raízes se colocou informando que fará o planejamento estratégico a ser, posteriormente, apresentado às organizações dos quilombolas, indígenas e comunidades tradicionais. Informa ainda que já há decisão sobre a realização de encontros regionais em 14 municípios para identificar demandas e construir um projeto mais amplo com as representações dos diferentes grupos etnico-culturais, entre os meses de junho a agosto.

Domingos do Instituto Mocambo desenvolve projetos voltados para a recuperação da memória e da identidade cultural, com ênfase na produção de literatura infantil. Ele enfatizou a necessidade de desenvolver propostas e ações que extrapolem Belém.


Anderson e Mariana, da Casa de Cultural Tainá, apresentaram um trabalho que vêm desenvolvendo de inclusão digital das comunidades quilombolas. Esta ação, já iniciada em diversos estados, agora começa a ser implementada no Pará com o apoio do governo federal. Esperam poder contribuir para a ampliação e fortalecimento da rede de comunidades quilombolas.

Zélia Amador, do Cedenpa, concordou com a necessidade de ampliar o debate sobre as demandas do movimento negro, levando estas propostas para o interior do estado.


Jilberto do Cutimboia está preocupado com a manutenção da cultura e diz que a experiência mostra que é possível fazer um trabalho amplo com as comunidades quilombolas de respeito e a partir das suas tradições.

Willivane, da Secretaria Municipal de Educação de Santarém falou que a articulação do movimento negro e quilombola no município é bastante forte e informou sobre a Federação das Associações de Quilombolas e sua importância estratégica para construção de propostas para estas comunidades. Pontuou ainda: o problema da arquitetura das escolas que desconsideram a dinâmica dos grupos locais; o ensino religioso na rede pública municipal de ensino que ensina apenas a religião católica ou evangélica e que é preciso ampliar esta dimensão com os professores; identifica problemas graves nas metodologias de ensino, como por exemplo, no ensino de arte em que as comunidades foram inundadas com isopor, quando poderiam utilizar materiais locais; pediu ajuda para difusão do filme feito com as comunidades quilombolas.


Jaqueline, do Fórum Paraense de Educação do Campo falou sobre a importância de se promover uma maior inclusão do movimento negro no Fórum de maneira que se possa pautar as demandas específicas dos grupos étnico culturais do estado.

Outras propostas:


Definir um grupo de trabalho com as organizações do movimento negro para construção de planejamento de ações, com elaboração de propostas com prazos, objetivos e custos;


A reunião deverá acontecer entre os dias 14 e 15 de maio e tirar uma proposta inicial;

Esta proposta inicial deverá ser mais amplamente discutida com outras representações do movimento negro que estarão presentes na Conferência Estadual de Direitos Humanos;


O grupo de trabalho, ao pensar em propostas, deverá considerar: todos concordam com a importância de realização de encontros regionalizados para identificar demandas; que é fundamental haver um levantamento de quantas, quais e em que situação estão das organizações do movimento negro e quilombola do estado; é preciso identificar quais os programas e ações previstos nos orçamentos públicos federal, estadual e municipais, de maneira a que as ações tenham maior efetividade; ao realizar os encontros, já pensar na realização de oficinas de elaboração de projetos e de formação de pessoal que dê conta de administrar processos e recursos.


Participaram do encontro:

Ida Pietricovsky de Oliveira UNICEF

Antonio Pompeo Fundação Cultural Palmares

Willivane F. de Melo Semed/Santarém

Assunção José P. Amaral Projeto Raízes - Seju

Jorge Gouveia Projeto Raízes - Seju

Sérgio Figueiredo Fernando Sedes

Jilberto de Souza Coelho Cutimbola

Anderson de Souza Ferreira Casa de Cultura Tainá - Gesac

Mariana Maré Casa de Cultura Tainá - Gesac

Jacqueline Serra Freire Fórum paraense de Educação do Campo

Domingos Conceição Instituto Mucambo

Zélia Amador de Deus Cedenpa

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