1ª Oficina Estadual de MetaReciclagem - Cuiabá/MT
De WikiGesac
1. APRESENTAÇÃO
A presente Oficina pretende contribuir para a melhoria do ensino, aprendizagem, reciclagem e ações para o desenvolvimento humano no Estado de Mato Grosso, por meio de uma política de inclusão digital cujo o foco será a introdução das novas tecnologias e ferramentas como instrumentos de apoio ao processo educacional e de capacitação tecnológica da população socialmente desfavorecida, através de um movimento descentralizado, que tem como objetivo a autonomia tecnológica no hardware e software e a consciência ecológica, chamado MetaReciclagem. Realização entre os dias 05 e 09 de março de 2007 na Unidade de Ensino Descentralizada do CEFET/MT, campus Bela Vista, em Cuiabá, pelo Ministério das Comunicações (GESAC) e o Fórum de Inclusão Digital de Mato Grosso (FID-MT), contando com vários parceiros, dentre eles:
- Caixa Econômica Federal (Moradia e Cidadania);
- UFMT;
- UNED CEFET/MT Campus Bela Vista;
- IMAR (Instituto Memorial do Araés);
- CEPROMAT;
- SEDUC;
- SETECS;
- UniRondon;
2. INTRODUÇÃO
A difusão do conhecimento científico e tecnológico é requisito básico para responder aos desafios da construção de uma sociedade onde o conhecimento é o propulsor de conquistas culturais, sociais e econômicas. Assim, é importante que o conhecimento não fique restrito aos círculos acadêmicos, mas chegue aos setores econômicos e sociais. É fato evidente a importância que a informática tem atualmente. Vivemos hoje em um ambiente em que o conhecimento, a informação e a educação são qualidades muito valorizadas no indivíduo, sendo que a informática é uma das ferramentas principais neste contexto por ser um meio altamente eficiente, eficaz e rápido de obtenção e difusão de informática e conhecimento. A mudança que a tecnologia trouxe ao cotidiano da sociedade é inegável, sendo atualmente impensável viver modernamente sem o computador. No Brasil é alarmante o quadro da exclusão social. O país tem 13,3% de sua população com idade maior que 15 anos classificada como analfabeta e 59,8% de suas famílias têm renda mensal menor do que 5 salários mínimos (IBGE). Pode-se ainda perceber que a exclusão social se reflete também nos aspectos relacionados ao acesso à informática, quando se nota, por exemplo, que somente 6 em cada 100 brasileiros têm computador e 3 em cada 100 acessam internet. A população brasileira representa apenas 3,8% da população mundial que acessa a rede. No entanto, essa mesma população representa cerca de 88% do mercado latino-americano no comércio eletrônico. Percebe-se então que o fosso que separa ricos e pobres em nossa nação, também é muito grande quando se trata do acesso à internet. Esta situação se contrapõe à sociedade em que vivemos, onde se valoriza cada vez mais o capital intelectual, o conhecimento, a informação e a interatividade que o indivíduo tem com o mundo globalizado. Daí nasce a necessidade do poder público e da sociedade civil de estabelecerem políticas exclusivas e iniciativas para que possam propiciar oportunidades de “inclusão digital” para os cidadãos de sua comunidade. O grande desafio aqui é, além de prover acesso ao computador e à rede é ensinar a aplicação desses recursos na obtenção de conhecimento, em ações de cidadania, no acesso aos serviços públicos, no setor produtivo, na geração de emprego e renda. É propiciar que os cidadãos sejam incluídos digitalmente de modo que não apenas aprendam o mínimo de informática, mas possam participar da vida em sociedade, questionando e agindo frente os problemas socioeconômicos de nosso país, exercendo assim, seu direito de cidadão. Se formos buscar no dicionário qual o significado das palavras “META”: mudança, posterioridade,além, transcendência, reflexão crítica sobre, metafonia, metamórfico, metacronismo, metapsíquico, metalinguagem; e “RECICLAGEM”: nova passagem por um ciclo de operações, novo tratamento dado a materiais (papel, vidro, metal, etc.), para possibilitar a sua reutilização e, assim, preservar o ambiente e os recursos naturais, atualização pedagógica, cultural, profissional, etc, repetição de uma substância com fim de melhorar propriedades ou aumentar o rendimento da operação global. Trabalhar com MetaReciclagem é a arte de transformar, melhorar, transcender uma idéia, e no caso da inclusão digital, o lixo eletrônico, em ferramentas de apropriação tecnológica para transformação e desenvolvimento social. A MetaReciclagem vai além do trabalhar técnico, ela propõe humanizar as tecnologias como fonte de conhecimento e desenvolvimento para a formação de jovem-adolescentes, crianças e idosos. É preciso coragem e sinergia para trabalhar MetaReciclagem, pois existe uma tendência para acomodação, passando para o Governo a responsabilidade da exclusão digital no país, criando-se mais uma exclusão diante de tantas outras. Hoje o governo oferece aos cidadãos uma série de serviços informatizados, FGTS, PIS/PASEP, Imposto de Renda, Carteira de Trabalho, Título de Eleitor, Previdência Social, Passaporte, Cartão Nacional de Saúde, inscrições para concursos e vestibulares, entre outros, disponibilizados via rede eletrônica (internet), isso com a finalidade de acesso do cidadão à esses serviços, com o objetivo de agilizar o processo tornando-se dinâmico, gerando assim mais economia aos cofres públicos. O cenário tecnológico atual, gera uma necessidade de consumo, hora por causa de novas soluções, hora por causa de uma agilidade no processo ou por necessidade de produção para crescimento da indústria, relacionando-se entre si tal situação, descartando a cada dia que passa equipamentos em ótimo estado de utilização, ou com pouquíssimas avarias, com o argumento de estar ultrapassado tecnologicamente para uso, acelerando a cada dia reposições em menor intervalo de tempo, gerando assim muito lixo eletrônico. Como consequência, criam-se altas tecnologias, elevando o seu custo de aquisição, ficando cada vez mais distantes do poder aquisitivo da população carente, formando a faixa dos exclusos digitais, dificultando o acesso à informação, e implantação de projetos sociais, pelo alto custo de investimento em tecnologia. Outra consequência dessa realidade é o lixo gerado que na maior parte das vezes acaba sendo despejado no meio ambiente contribuindo diretamente para sua degradação.
3. JUSTIFICATIVA
No mercado consumidor a necessidade de se ter um equipamento dentro de casa já superou os outros veículos de comunicação, dados publicados no livro verde mostram o avanço, nunca antes conhecido, da tecnologia de informação e comunicação, como o ocorrido com a Internet no espaço de 4 anos, tempo em que atingiu, nos EUA, 50 milhões de pessoas, quando a TV levou 13 anos, o computador pessoal, 16 e o rádio 38, para atingir esse mesmo número. Essa necessidade gerou o que chama-se de demanda e consumo tecnológico – produção e criação de produtos tecnológicos e sua absorção pelo mercado consumidor. Uma das consequências dessa situação é a inovação acelerada de equipamentos, altos preços de manutenção, falta de uma boa manutenção e suporte por capacitação ineficiente, criação de novos meios de trabalhos, sistemas e softwares, gerando muito lixo tecnológico e descarte desses, que ainda possuem utilizados para funções básicas.
“Há outro motivo para reciclar esse computadores. Cerca de 94% dos materiais usados nas máquinas são recuperáveis. Se não forem reutilizados, os computadores viram lixo tecnológico: ocupam espaço nos caros aterros sanitários ou contaminam solos, rios, lençóis subterrâneos com sua alta concentração de metais pesados, como cádmio, chumbo e mercúrio. Em 1989, a Convenção de Basiléia – que regulou a movimentação de resíduos tóxicos entre países – conferiu, ao lixo eletrônico, a categoria de resíduo perigoso, sujeito a banimento.” (ARede, Maio/2005:12)
Uma das soluções para problemas como estes citados anteriormente, encontram na MetaReciclagem uma possibilidade. Oficinas de MetaReciclagem já vêm acontecendo em vários Estados Brasileiros como São Paulo, Curitiba, Minas Gerais, Rio de Janeiro e outros, tendo como resultado o envolvimento da comunidade no projeto sentindo-se parte integrante no movimento de reapropriação tecnológica, desde sua chegada, desmontagem, reciclagem, arte e criatividade até seu completo funcionamento e “vida” nova. Esse processo de desconstrução e reconstrução possibilita o aprendizado específico e técnico e vai além, pois desperta a consciência crítica através das discussões durante os debates nas oficinas, gerando questionamentos e respostas durante esse processo, possibilitando assim uma visão mais universal, despertando aptidões para outras áreas também além da informática.
“Todos os anos, cerca de 4 milhões de novos computadores entram em operação no Brasil, em uma base estimada em 10,6 milhões pela IDC Brasil, instituto de pesquisa. A renovação do parque acontece a cada dois anos, ou menos, nos casos de contratos de leasing. Contando apenas os computadores do governo, que movimenta 40% do mercado de aquisições legais, isso significa que pelo menos 1,6 milhão de máquinas compradas em 2005 serão aposentadas, daqui a dois anos. Apenas a Caixa Econômica Federal (CEF) separou para descarte, no ano passado, 27 mil equipamentos. Enquanto o Banco do Brasil liberou outros 50 mil. Tal volume de máquinas aposentadas gera, de acordo com Rodrigo Assumpção, coordenador do Comitê de Inclusão Digital da Secretaria de Tecnologia e Logística da Informação (SLTI), do Ministério do Planejamento, uma oportunidade relevante para apoiar a inclusão no país. Ele avalia que o custo de um computador recondicionado é da ordem de R$ 143,89, enquanto um PC convencional no mercado, sai por cerca de US$ 800.” (ARede, Maio/2005:11)
Esse projeto é voltado para a tecnologia social, alicerçado nas possibilidades de replicação de conhecimentos e idéias. O processo envolve no desmanche das máquinas, seleção de peças em boas condições, pintura de gabinetes e monitores, desmistificação da tecnologia, recomposição dos equipamentos, despertando não só o conhecimento técnico, mas também a importância dos princípios colaborativos de grupo. Esse movimento que o projeto se dedica aplicar é baseado em Software Livre, permitindo rodar em máquinas menos potentes lowtech, e cumpre com muito sucesso tarefas como escrever textos, planilhas, trocar e-mails, comunicação instantânea, acesso à internet, etc.
4. PÚBLICO ALVO DA OFICINA
O presente projeto dessa oficina em específico é direcionado aos Pontos de Presença GESAC e parceiros convidados pelo Fórum de Inclusão Digital de Mato Grosso, ampliando a ação e levando aos mesmos o conhecimento básico de uma arquitetura computacional para manutenção dos laboratórios e telecentros, utilização do software livre e serviços IDBrasil. Serão ofertadas 20 vagas aos Pontos de Presença e 20 vagas à pessoas indicadas pelos parceiros, com objetivo e compromisso de multiplicar o conhecimento adquirido.
5. OBJETIVO GERAL
Recuperação de equipamentos doados pelos parceiros e/ou sociedade considerados obsoletos, criando possibilidade de uso para estruturar e restruturar laboratórios e telecentros na região da capital, bem como ajudar os laboratórios e telecentros que possuem a conexão GESAC, ampliando o acesso ao conhecimento e à tecnologia pela via da Inclusão Digital, fomentando a emancipação tecnológica, deixando os mesmo em condições de uso e operação em maior parte do tempo sem precisar de apoio externo ao contexto e objetivo ao qual veio para servir; a comunidade carente e em geral.
6. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Promover o acesso da comunidade de baixa renda à tecnologia incluindo socialmente e digitalmente através da MetaReciclagem, valorizando a ação para conservação do patrimônio constituído para o funcionamento do laboratório ou telecentro;
- Desenvolvimento da consciência de trabalho em grupo para colaboração com a comunidade trocando experiências e compartilhando conhecimentos;
- Gerar independência tecnológica na manutenção de laboratórios e telecentros;
- Possibilitar a criação de uma cooperativa de trabalho para prestação de serviços de ótima qualidade à comunidade de baixo IDH, fomentando a auto-sustentabilidade local para criação de outras ações de cunho social e tecnológico;
- Despertar a criatividade para utilização da tecnologia para outros fins além da computação apenas;
- Utilização do computador e da internet como instrumentos de apoio à educação escolar, o acesso a emprego e renda e ao exercício da cidadania;
- Contribuir com a melhoria da qualidade da educação básica, permitindo que alunos das escolas públicas utilizem novas metodologias de aprendizagem e acessem um maior volume de conteúdos curriculares e extracurriculares, proporcionando melhoria no nível educacional e cultural;
- Possibilitar um reflexão ampliada junto ao público alvo sobre a importância do conhecimento e do trabalho como processo de crescimento pessoal e social;
- Conhecer o Programa GESAC e os serviços oferecidos, dando condições de apoio para elaboração de projetos para pedidos de novas conexões ao Ministério das Comunicações.
7. METODOLOGIA DA METARECICLAGEM
7.1 – Metodologia
A metodologia básica que norteará será a aplicação da oficina localmente, com estrutura disponibilizada no CEFET/MT com a carga horária de 40 horas para um bom aproveitamento do conteúdo, com reciclagens constantes de conhecimentos serem assumidas pelo FID-MT, para aperfeiçoamento e qualidade do aprendizado, garantindo sua aplicação com bom desempenho e garantia de independência. A oficina terá conteúdos teóricos e práticos, discussões, debates e filmes, despertando a consciência crítica, sendo pautada nas seguintes atividades:
- Cadastro e registro dos participantes;
- Inclusão dos participantes em uma turma de 40 alunos;
- Registro de presença que deve ser no mínimo de 90%, para a obtenção do certificado de participação;
- Utilização voluntária dos participantes das oficinas em outras a serem aplicadas, garantindo a multiplicação do conhecimento.
7.2 – Avaliação dos Resultados da Oficina
O processo de avaliação dar-se-á no fim com uma auto-avaliação de todos sem exceção, através de uma redação de no mínimo 15 linhas, onde se dará um tempo de uma hora para reflexões, trocas de idéias e elaboração da redação. Sugestões escritas também serão aceitas.
8. METAS DA OFICINA
- Tornar-se referência para a campanha estadual de arrecadação de equipamentos considerados obsoletos ou não;
- Montagem de turmas em diversos locais do estado para a execução de oficinas similares com os multiplicadores saindo dessa oficina, recuperação de equipamentos doados para constituição de novos laboratórios e telecentros como resultado da ação;
- Capacitação de pessoas para gestão e manutenção de telecentros e laboratórios;
- Criação de projetos para auto-sustentabilidade dos diversos telecentros e laboratórios;
- Avaliação do impacto do Projeto nas escolas e comunidades atendidas quanto ao uso dos recursos tecnológicos e da informação no processo de ensino e aprendizagem e no aproveitamento das oportunidades locais ou regionais de trabalho, emprego e renda.
9. MATERIAIS
- Boa iluminação;
- Ambiente Ventilado;
- Bancadas;
- Instalação elétrica 110v;
- Conexão de rede;
- Tanque para lavagem de peças (não eletro-eletrônicas);
- Compressor de ar com bico para jato de ar;
- Chave philips;
- Chave de fenda;
- Alicate de corte;
- Alicate de bico;
- Alicate de crimpagem;
- Multímetro;
- Ferro de Solda;
- Estanho;
- Sugador de solda;
- Estilete;
- Lápis;
- Caneta;
- Caneta marcadora para retroprojetor;
- Parafusos p/ computadores;
- Spray limpa contatos;
- Pasta térmica p/ processadores;
- Fita isolante;
- Álcool etílico 90%;
- Pasta e pano para limpeza;
- Tinta (esmalte sintético – cores básicas);
- Solvente para tinta sintética;
- Pincéis para pintura (vários tamanhos);
- Disquetes;
- CD's virgens.
10. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
05/03 – Segunda-feira
Manhã
- Apresentação do FID-MT;
- Apresentação do GESAC;
- Apresentação dos participantes (dinâmica);
- Introdução à MetaReciclagem;
- Filmes e produções de MetaReciclagem;
Tarde
- Filme “Revolution OS”;
- Debate sobre a MetaReciclagem e troca de experiências;
- Preenchimento do termo de compromisso;
06/03 – Terça-feira
Manhã
- Conceitos elétricos;
- Prática dos conceitos elétricos;
- Estabilizadores e no-breaks;
- Ferramentas mais utilizadas na manutenção;
- Introdução ao hardware;
- Componentes principais e básicos;
- Prática de conhecimentos;
Tarde
- Desmontagem e triagem dos equipamentos;
- Limpeza;
- Pintura;
- Montagem;
07/03 – Quarta-feira
Integral (dia todo) Cont.
- Limpeza;
- Pintura;
- Montagem;
Alternadamente
- Introdução à estrutura física de redes, cabeamento e crimpagem;
08/03 – Quinta-feira
Integral (dia todo)
- Introdução ao Software Livre;
- Instalação de Software Livre (GNU/Linux Debian);
- Configuração dos computadores em rede;
- Teste de conexão e navegação na internet;
Alternadamente
- Introdução à estrutura física de redes, cabeamento e crimpagem;
09/03 – Sexta-feira
Manhã
- Apresentação do Portal IDBrasil.gov.br;
- Apresentação da Lista GESAC Mato Grosso;
- Apresentação da Teia;
- Apresentação do Wiki;
Tarde
- Introdução ao BROffice.org;
- Alternativas de auto-sustentabilidade e cooperativas;
- Avaliação da oficina com publicação em Wiki;
- Encerramento.
11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CORNILS E COUTO, P.V. ARede, Reciclagem: o computador com atitude. São Paulo: Momento Editorial, 2005. p. 11.
GESAC. Manual Para os Pontos de Presença. In: I ENCONTRO DE MULTIPLICADORES ESTADUAIS DO GESAC – MATO GROSSO, MATO GROSSO DO SUL E RONDÔNIA, 2006, Cuiabá. Apostilas... Brasília: Ministério das Comunicações, 2006. p.22-26.
SILVA, F.H.R. MetaReciclagem: Livro Azul. São Paulo, 2006.
ANEXOS
MetaReciclagem no Estado de Mato Grosso (em PDF)
Manifestação de Interesse para montagem de um telecentro (em PDF)

